ICerta vez eu e minha esposa voltávamos para casa vindo de uma apresentação onde dávamos carona para uma amiga e suas duas filhas.
Eu dirigia tranquilamente quando as mulheres gritaram e eu senti a pancada no carro. Parei uns 150 metros depois com elas apavoradas dizendo que um motoqueiro havia batido em nós. Fomos até o local e ele estava bem, já cercado por moradores curiosos. A moto acabada assim como a porta do meu carro. Percebi então que se tratava de um entregador de pizza.
Na minha mente tinha apenas duas certezas: Ele provavelmente não tinha condições de pagar o conserto e eu graças a Deus tinha.
Parece simples. Branco ou preto. Dane-se, ele estava errado ele tem que pagar. Não, tudo bem, cada um paga o seu. Mas o mundo é cinza camarada.
Minha decisão foi deixar pra lá, cada um pagar o seu. Me pareceu a coisa mais cristã a se fazer. Porém mais tarde fui confrontado com a seguinte afirmativa: "ele deveria ter se responsabilizado pelo erro, assim não ia errar de novo."
Essa frase, dita pela gerente de minha esposa e repassada a mim fez total sentido. E se ao invés de bater no meu carro ele tivesse atropelado uma criança? E se minha esposa ou nossa amiga tivessem se ferido? E se numa próxima ele morrer? Responsabiliza-lo pelo seu ato poderia evitar tudo isso, e pensando bem, é uma atitude ainda mais cristã do que simplesmente deixar pra lá.
Resolvido o dilema. Só que não.
O dinheiro do conserto poderia fazer muita falta para ele, sabe-se Deus quem depende dele para viver. Imagina a pressão com que esses entregadores trabalhão. É justo punir o homem por um erro, que pode ter sido o primeiro?
Cinza. Paradoxalmente simples e complexo. Simples, pois se temos a consciência dos muitos fatores envolvidos podemos tomar a decisão mais acertada, e complexo, pois a mesma consciência que torna tudo mais simples nos leva a questionamentos cada vez mais profundos.
Qual seria a decisão mais acertada no caso do acidente?
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Responsabilizar
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