segunda-feira, 27 de novembro de 2017

Ideais

Todo mundo precisa de ideais. Um ponto de perfeição sobre determinado assunto que serve como guia para a vida. O que é amor, o certo ou o errado. Não existe problema nenhum nisso, é até mesmo saudável. O problema é projetar esse ideal sobre as outras pessoas.
Quase todo mundo tem um ideal, mas é engraçado como na maioria dos casos esses ideais são sobre terceiros. Um ideal de esposa, um ideal de igreja, um ideal de governo, um ideal de mundo. Raramente se pensa sobre o marido que se quer ser por exemplo.
Esses ideais invariavelmente são frustrados. Pelo simples fato de que o seu ideal de esposa é diferente do ideal de esposa da sua esposa.
Quando você tem um ideal e projeta ele sobre sua vida, sem pressões exageradas, isso serve de incentivo para seu crescimento como ser humano. (É claro que existem ideais danosos apresentados por pessoas sem escrúpulos, mas não é este o foco desse pensamento)
Mas como usar esse ponto de perfeição de maneira saudável? Sem ficar paranóico, ansioso ou frustrado? Pode parecer simples, mas não é.
A maior parte das pessoas, quando projetam um ideal sobre qualquer coisa caem no erro de não aceitarem nada diferente. Se as coisas desviam um pouco para o preto ou para o branco elas piram, se frustram e desistem. Mas a verdade é que ninguém consegue fazer com que as coisas sejam exatamente como se espera, nós fazemos planos, a vida ri.
Um professor uma vez falou que devemos objetivar o 10 (o ideal) e o que conseguirmos próximo disso está ótimo.  Mas se objetivarmos o 6 (o suficiente) e conseguirmos chegar próximo disso, será catastrófico. Eu sigo essa mentalidade para meus ideais.

segunda-feira, 20 de novembro de 2017

Responsabilizar

ICerta vez eu e minha esposa voltávamos para casa vindo de uma apresentação onde dávamos carona para uma amiga e suas duas filhas.
Eu dirigia tranquilamente quando as mulheres gritaram e eu senti a pancada no carro. Parei uns 150 metros depois com elas apavoradas dizendo que um motoqueiro havia batido em nós. Fomos até o local e ele estava bem, já cercado por moradores curiosos. A moto acabada assim como a porta do meu carro. Percebi então que se tratava de um entregador de pizza.
Na minha mente tinha apenas duas certezas: Ele provavelmente não tinha condições de pagar o conserto e eu graças a Deus tinha.
Parece simples. Branco ou preto. Dane-se,  ele estava errado ele tem que pagar. Não, tudo bem, cada um paga o seu. Mas o mundo é cinza camarada.
Minha decisão foi deixar pra lá, cada um pagar o seu. Me pareceu a coisa mais cristã a se fazer. Porém mais tarde fui confrontado com a seguinte afirmativa: "ele deveria ter se responsabilizado pelo erro, assim não ia errar de novo."
Essa frase, dita pela gerente de minha esposa e repassada a mim fez total sentido. E se ao invés de bater no meu carro ele tivesse atropelado uma criança? E se minha esposa ou nossa amiga tivessem se ferido? E se numa próxima ele morrer? Responsabiliza-lo pelo seu ato poderia evitar tudo isso, e pensando bem, é uma atitude ainda mais cristã do que simplesmente deixar pra lá.
Resolvido o dilema. Só que não.
O dinheiro do conserto poderia fazer muita falta para ele, sabe-se Deus quem depende dele para viver. Imagina a pressão com que esses entregadores trabalhão. É justo punir o homem por um erro, que pode ter sido o primeiro?
Cinza. Paradoxalmente simples e complexo. Simples, pois se temos a consciência dos muitos fatores envolvidos podemos tomar a decisão mais acertada, e complexo, pois a mesma consciência que torna tudo mais simples nos leva a questionamentos cada vez mais profundos.
Qual seria a decisão mais acertada no caso do acidente?