É justo negar sangue a uma vítima que se recusou a doar quando teve oportunidade?
Quantas vezes contribuímos para o bem estar de pessoas que estão pouco se lixando para o bem estar dos outros. Quantas vezes doamos para as vítimas de enchentes que continuam poluindo os rios e fazendo os bueiros de lixeira. Não tem alguma coisa errada nisso tudo?
Se você pensar nesses atos como caridade, não tem nada de errado. Afinal a caridade é feita sem se esperar nada em troca, nem mesmo o retorno dessa.
Mas eu não vejo uma doação de sangue como caridade, muito menos uma doação a vítimas de calamidades. Caridade é o que se faz à pessoas carentes, alimento para pobres, atenção para idosos em asilos, um abraço para uma pessoa depresiva.
Quando você doa sangue, por exemplo, você está contribuindo para o bom andamento da sociedade, e isso deve ser obrigação de todos que vivem nela.
Se você não quer viver em sociedade, você é livre para isso, mas depois não venha gritar pedindo pelos direitos que a sociedade lhe garante.
Vivemos em uma sociedade em que muitos esperam receber enquanto poucos contribuem. E eu não estou falando de impostos, na atual realidade brasileira imposto e extorsão não estão distantes. É engraçado a quantidade de pessoas que reclamam do trânsito e não respeitam o mínimo da sinalização.
Viver em sociedade vai muito além de pagar impostos e ter direitos, viver em sociedade significa entender que pra ela funcionar todos precisam fazer apenas o mínimo e não alguns se sacrificarem por ela.
Café UPHILL
quinta-feira, 28 de dezembro de 2017
Civilidade
segunda-feira, 18 de dezembro de 2017
Guerra é Guerra.
Violência gera mais violência, não existe dúvida quanto a isso. Como disse o Detetive Gordon no final de Batman Begins "nós usamos semiautomaticas eles usam automáticas..."
Sim, a escalada da violência vem a passos largos. Se a polícia aperta o crime, o crime revida com força e quem paga são os inocentes. Temos que tratar os criminosos com medidas socioeducativas.
Perai... que?
Eles atacam com fogo e nós vamos revidar com palavras? Isso parece coisa para Jesus Cristo, e pasmem, a maioria dos criminosos se consideram cristãos.
Se ajoelhar e implorar para não ter o cérebro esmagado pela Lucilly? Sério? Não!
Mas isso não quer dizer que precisamos pegar em armas e sair matando todo mundo, até que aconteça um apocalipse zumbi pelo menos. "Violência gera mais violência" é branco, "bandido bom é bandido morto" é preto, mas a vida real é cinza camarada.
Os policiais, senhoras e senhores, vivem em estado de guerra. Sim, GUERRA! E na guerra, mortes acontecem! É horrível eu sei, mas entre aqueles que mesmo com todos os defeitos protegem a liberdade e aqueles que oprimem o cidadão comum, que morram os opressores. (pode parecer coxinha, mas eu prefiro pão com mortadela)
A polícia lhe da com pessoas que não pensam antes de puxar o gatilho, que não se importam em tirar uma vida e que sempre encontram razões para justificar isso. Dessemodo, se a polícia for pra rua com medo de puxar o gatilho, pois se o fizerem sofreram diversas implicações, eles é quem vão morrer. A hegemonia que faz mais jovens negros serem mortos pela polícia é externa a instituição polícia.
Mas é preciso ser imparcial. Um jovem que roubou um mercado e correu da polícia com medo não deve levar um tiro. Um garoto que roubou um mercado e foi para cima da polícia ou correu mas atirando, deve sim ser alvejado, na perna SE POSSÍVEL. Independente de sua cor ou orientação sexual, independente do bairro onde a ação aconteceu.
segunda-feira, 27 de novembro de 2017
Ideais
Todo mundo precisa de ideais. Um ponto de perfeição sobre determinado assunto que serve como guia para a vida. O que é amor, o certo ou o errado. Não existe problema nenhum nisso, é até mesmo saudável. O problema é projetar esse ideal sobre as outras pessoas.
Quase todo mundo tem um ideal, mas é engraçado como na maioria dos casos esses ideais são sobre terceiros. Um ideal de esposa, um ideal de igreja, um ideal de governo, um ideal de mundo. Raramente se pensa sobre o marido que se quer ser por exemplo.
Esses ideais invariavelmente são frustrados. Pelo simples fato de que o seu ideal de esposa é diferente do ideal de esposa da sua esposa.
Quando você tem um ideal e projeta ele sobre sua vida, sem pressões exageradas, isso serve de incentivo para seu crescimento como ser humano. (É claro que existem ideais danosos apresentados por pessoas sem escrúpulos, mas não é este o foco desse pensamento)
Mas como usar esse ponto de perfeição de maneira saudável? Sem ficar paranóico, ansioso ou frustrado? Pode parecer simples, mas não é.
A maior parte das pessoas, quando projetam um ideal sobre qualquer coisa caem no erro de não aceitarem nada diferente. Se as coisas desviam um pouco para o preto ou para o branco elas piram, se frustram e desistem. Mas a verdade é que ninguém consegue fazer com que as coisas sejam exatamente como se espera, nós fazemos planos, a vida ri.
Um professor uma vez falou que devemos objetivar o 10 (o ideal) e o que conseguirmos próximo disso está ótimo. Mas se objetivarmos o 6 (o suficiente) e conseguirmos chegar próximo disso, será catastrófico. Eu sigo essa mentalidade para meus ideais.
segunda-feira, 20 de novembro de 2017
Responsabilizar
ICerta vez eu e minha esposa voltávamos para casa vindo de uma apresentação onde dávamos carona para uma amiga e suas duas filhas.
Eu dirigia tranquilamente quando as mulheres gritaram e eu senti a pancada no carro. Parei uns 150 metros depois com elas apavoradas dizendo que um motoqueiro havia batido em nós. Fomos até o local e ele estava bem, já cercado por moradores curiosos. A moto acabada assim como a porta do meu carro. Percebi então que se tratava de um entregador de pizza.
Na minha mente tinha apenas duas certezas: Ele provavelmente não tinha condições de pagar o conserto e eu graças a Deus tinha.
Parece simples. Branco ou preto. Dane-se, ele estava errado ele tem que pagar. Não, tudo bem, cada um paga o seu. Mas o mundo é cinza camarada.
Minha decisão foi deixar pra lá, cada um pagar o seu. Me pareceu a coisa mais cristã a se fazer. Porém mais tarde fui confrontado com a seguinte afirmativa: "ele deveria ter se responsabilizado pelo erro, assim não ia errar de novo."
Essa frase, dita pela gerente de minha esposa e repassada a mim fez total sentido. E se ao invés de bater no meu carro ele tivesse atropelado uma criança? E se minha esposa ou nossa amiga tivessem se ferido? E se numa próxima ele morrer? Responsabiliza-lo pelo seu ato poderia evitar tudo isso, e pensando bem, é uma atitude ainda mais cristã do que simplesmente deixar pra lá.
Resolvido o dilema. Só que não.
O dinheiro do conserto poderia fazer muita falta para ele, sabe-se Deus quem depende dele para viver. Imagina a pressão com que esses entregadores trabalhão. É justo punir o homem por um erro, que pode ter sido o primeiro?
Cinza. Paradoxalmente simples e complexo. Simples, pois se temos a consciência dos muitos fatores envolvidos podemos tomar a decisão mais acertada, e complexo, pois a mesma consciência que torna tudo mais simples nos leva a questionamentos cada vez mais profundos.
Qual seria a decisão mais acertada no caso do acidente?